Um novo ano para o Open Insurance

Aexpansão para outros ecossistemas é o caminho natural do Open. O início de tudo, com o Open Banking, abriu muitas portas, mostrou dores e trouxe aprendizados que serão úteis para outras verticais.

by Finansystech

A expansão para outros ecossistemas é o caminho natural do Open. O início de tudo, com o Open Banking, abriu muitas portas, mostrou dores e trouxe aprendizados que serão úteis para outras verticais. Hoje, é bem fácil imaginar um mundo todo de dados abertos – e o Open Insurance é um ótimo exemplo disso.

Trocar dados entre seguradoras, facilitando jornadas e criando novos produtos para inovar dentro de um mercado pouco propenso à mudanças, tem se mostrado promissor. Diferente do Open Banking, regulado pelo Banco Central do Brasil, o Opin é regulado pela Susep, a Superintendência de Seguros Privados, o órgão fiscalizador das operações de seguro, previdência complementar aberta e capitalização. O foco é trazer segurança e transparência ao processo de compartilhamento de dados, que tem informações extremamente sensíveis.

Para falar mais sobre o estado atual do primeiro ano de trabalho do Open Insurance no Brasil, trouxemos Alberto Beloni, tech leader da Finansystech.

Vamos pelo começo: como está o Open Insurance hoje?

Esse foi de fato o ano em que a fase 1 começou em todas as instituições registradas e vamos entrar na produção da fase 2 em janeiro. A lógica e o processo são extremamente parecidos com o Open Banking, as grandes mudanças só acontecem na fase 3, que vai ter o escopo definido no decorrer de 2023. A integração do ecossistema com as seguradoras é extremamente importante. É bom lembrar que quando falamos de Open Finance, já estamos falando de Open Banking e Insurance juntos. Sobre o que vai ser feito em 2023, a discussão gira em torno da contratação de serviços, sobre como envolver corretores e criar soluções para melhorar a jornada de contratos, mas os detalhes técnicos ainda estão em aberto. Pessoalmente, acho melhor não antecipar as discussões.

Como foi o ano de 2022?

Começamos com a publicação das primeiras especificações, com os padrões de segurança parecidos com o Open Banking, com poucas especificidades. A fase 1 foi dividida em três sub-fases, com um cronograma bem apertado, que acabou sendo prorrogado, mas que no final foi concretizado com sucesso. Já entramos no cronograma da fase 2 e no final de 2022, temos muitas entregas importantes. No dia 2 de dezembro, por exemplo, aconteceu o primeiro Marco Regulatório, a Certificação Estrutural. Também teve a ativação da Camada de Segurança no End-Point e já estamos na etapa de certificação de segurança e certificações funcionais.

Como tem sido a participação das seguradoras nesse processo?

Diferente do Open Banking, onde tínhamos cerca de 800 instituições, o Opin trabalha com algo em torno de 80, mas com uma diferença importante. No Banking, temos muitas instituições pequenas, no Insurance, as instituições são maiores e mais tradicionais. Encontramos alguns problemas no processo que ninguém estava esperando, não apenas problemas técnicos, mas também de usabilidade. Diferente dos bancos, não é comum para as seguradoras ter áreas logadas e a relação dos clientes é bem diferente. São idiossincrasias de mercado e as seguradoras tiveram que correr atrás, já que são processos obrigatórios. A sensação geral é que o Open Insurance nasceu mais imaturo, tivemos que correr mais atrás do cronograma. Muitas especificações já nasceram incompletas e corrigimos muitas coisas no meio do caminho. Foi um processo vivo, mas nem de longe um cenário insuperável. A Susep ajudou bastante, com workshops e ações diretas.

O que é o MockInsurance?

Esse é um dos principais aprendizados que tivemos durante o processo e que vai trazer muitas facilidades para todos no futuro. Basicamente,

o MockInsurance é uma plataforma da Open Insurance Brasil (regulada pela Susep), construída pela Finansystech, para testar a implementação de soluções. Basicamente é possível testar as soluções em todas as fases do Open Insurance em ambiente simulado para garantir que tudo vai estar nos padrões da Susep antes de lançar ao mercado. Isso é importante para prever problemas e prever testes de fluxo. A plataforma vai ser lançada para todos os participantes no dia 13 de janeiro de 2023.

Quais são os casos de uso que você imagina ter em 2023?

A primeira grande evolução é que agora tem um material técnico unificado, juntando todos os sistemas. Vamos finalmente entender como inovar, colocando produtos bancários e de seguros no mercado ao mesmo tempo. Para as instituições, isso é uma evolução incrível, onde se pode construir novas soluções para análise de perfil dos clientes e novas experiências de usuário, entre muitas outras ideias. Temos um novo sistema de compartilhamento de dados que pode ser usado para agregar valor em ofertas baseadas no perfil individual de cada cliente, em todo o ecossistema. Hoje, já é possível para uma seguradora trazer uma solução de pagamentos do Open Banking. Mas ainda é preciso

muito trabalho para trazer mais dados para o ecossistema e deixar tudo nos mesmos

padrões e protocolos.

E quais são as grandes tendências para o 2023?

A fase 3 ainda é uma grande interrogação quando se fala em detalhes técnicos e ainda precisamos trabalhar em todo o resto da fase 2. Hoje, o obrigatório é apenas a transmissão dos dados. Em 2023, vamos ver quem vai receber os dados e é isso que vai agregar valor real ao mesmo. Depois disso, vamos ter o maior desafio, que é analisar os dados.

____________________

Três inovações possíveis para o futuro do Open Insurance

Ofertas hiper-personalizadas: com o compartilhamento de dados, é possível ter uma compreensão profunda dos consumidores, com ofertas personalizadas. Com informações específicas do universo das seguradoras, será mais fácil aceitar e precificar o risco e construir ofertas de coberturas e garantias mais precisas ao perfil de cada consumidor.

Carteira de clientes: Conhecendo detalhes do cliente de seguradoras concorrentes, é possível ofertar coberturas e serviços diferenciados. A portabilidade é um conceito-chave. Podem ser criados combos de ofertas cross-market, inclusive com mercados de health e capitalização. A usabilidade também é um diferencial, onde a experiência do usuário se torna mais fluída.

Decisão baseada em dados: A inteligência de dados é um ponto forte no Open Insurance. Existem grandes oportunidades a serem exploradas a partir dos dados, como experiências personalizadas com uma visão holística do segurado, produtos sob medida, campanhas para atração de novos clientes e CRM, redução de risco e melhora na detecção de incidentes e comportamentos adversos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe este post:

Posts recentes

Picnic#3 – Refresh!

Picnic#3 Refresh! Precisamos falar sobre pagamentos

Chegou a terceira edição do PICNIC, o encontro mais divertido do mundo Open Finance, com convidados especiais, drinks e comidinhas. Uma conversa descontraída sobre o futuro do ecossistema que estamos ajudando a construir. Nessa edição, realizada em São Paulo com o apoio do Espaço Torq, tivemos como convidados a Jamile Leão (Capgemini Brasil) e o Paulo Barbosa (Itaú), em um encontro mediado pelo Gabriel Pereira. Saiba tudo que você precisa saber sobre Open Finance em www.finansystech.com

Leia mais