Porque eu bebo tanto café?

Durante anos, vi grandes ideias ganharem vida ao lado de garrafas térmicas e copos descartáveis.

Por Pedro Matallo, by Finansystech

Durante anos, vi grandes ideias ganharem vida ao lado de garrafas térmicas e copos descartáveis. Trabalhei em empresas de vários tamanhos, em lugares tão diversos quanto São Paulo e Angola. Para mim, poucos cantos reúnem tão bem pessoas de departamentos diferentes, com conhecimentos complementares para uma troca franca de ideias quanto o café e o bebedouro de uma empresa. Se algo não pode ser solucionado por ali, é porque provavelmente não tem solução. Claro que isso não é mérito do café requentado, e sim da troca de informações e do descompromisso dos pensamentos. Hoje, os maiores nomes da consultoria em inovação do mundo ainda tentam reproduzir esse clima dentro de squads e sprints. Eu tento apenas estar presente neles.

Fui contratado pela Finansystech em fevereiro de 2021, como Head de Marketing. A empresa tinha menos de um ano de existência e crescido muito mais rápido que seus canais de comunicação, então foi preciso construir quase tudo do zero. Desde o início, entendi um desafio muito claro: existem vários públicos diferentes, todos igualmente importantes, com vários pontos de vista sobre um mesmo tema. Devs e executivos, analistas e gerentes de banco: cada um vê o Open de uma forma própria. Talvez a única coisa que todos tenham em comum seja a necessidade de uma pausa rápida no meio da tarde. E então a mágica acontece: se trabalharmos bem, alguém vai precisar de uma solução para um problema. E, se tudo der certo, todos vão lembrar da Finansystech. Fizemos redes sociais, decks de apresentação, site, slogans e muito conteúdo para comunicar soluções incríveis e complexas. Tudo com a esperança de ser parte da conversa. Isso, senhoras e senhores, é o que muita gente chama de branding.

O Open Finance e a sua avó

“Rodado”. Essa é a palavra que melhor me define como profissional. Comecei a trabalhar muito cedo, com uns 13 anos e fiz um pouco de tudo – algo entre gráficas de bairro, grandes revistas do mercado editorial, artes plásticas e storytelling. Sempre me interessei por assuntos do mercado financeiro, por economia e inovação. Gosto desse universo. E apesar de toda essa experiência, afirmo com convicção que poucas coisas são mais desafiadoras do que trabalhar com Open Finance.

Para começar, existem as regulações, que são difíceis. Depois vem a parte de sistemas, que são impossíveis de traduzir para o público final. Existe o UX, a segurança, as especificações e os GTs. E tudo muda o tempo todo. E ainda estamos nas implementações, nem chegamos exatamente no cliente final – já imaginou vender o Open Finance para a sua avó? Eu já.

A parte que torna tudo mais interessante é que, apesar de estarmos todos vendendo as próprias soluções e produzindo suas tecnologias, o Open Finance em si não é um produto, é um ecossistema. Muitas partes, mesmo que concorrentes, precisam interagir para que o Open seja possível. No final das contas, mesmo trabalhando em empresas com suas próprias qualidades e características, fazemos parte de uma comunidade. E é aí que as coisas se complicam.

Alguns mantras pessoais

Existem alguns mantras do mundo da publicidade e do marketing que carrego para o caso de dúvidas. São eles:

  1. • Não é o que se diz, é o que o outro entende: Existem vários players importantes e diferentes. Como estabelecer um único discurso para uma marca?
  2. • Não é sobre o palheiro, é sobre a agulha: como se diferenciar entre empresas que aparentemente fazem coisas muito similares?
  3. • Todo mundo tem algo melhor a fazer do que ler esse texto: se você chegou até aqui, é por que estamos criando entretenimento, não interrompendo algo que você gostaria de estar fazendo.

O mundo Open é único por ser um exemplo radical desses mantras. Precisamos comunicar, traduzir, exemplificar e criar sobre um tema que ainda não tem referências ou benchmarks específicos. Precisamos ser raros em um processo colaborativo, que existe dentro de especificações rígidas. Precisamos ser interessantes em um assunto que ainda é intraduzível para o público final. Nesse sentido, é impossível usar ferramentas tradicionais de marketing.

É preciso antes, criar os alicerces, com muito conteúdo e informação relevante.

Tudo, hoje, é B2C.

A Finansystech teve uma experiência interessante nesse processo. Em maio de 2022, patrocinamos o Open Banking World, um dos maiores eventos de Open Finance do mundo, em Marbella, na Espanha. Foi algo muito, mas muito, relevante para a empresa. E sabíamos que precisávamos de algo mais interessante do que os brindes tradicionais, como cadernos, adesivos, chocolates, etc. Nós criamos um cartão magnético que, ao encostar no celular, abria um app, que dava acesso às nossas experiências e um NFT de brinde. Esse NFT era parte de uma obra de arte que nós encomendamos especialmente para a ocasião e dividimos em 300 partes iguais. Quando todos os NFTs foram ativados, anunciamos que estávamos neutralizando toda a emissão de carbono do evento, com a ajuda de todos os participantes. Fazer uma ação única e rara foi marcante – e ainda gerou conteúdo para a marca durante todo o ano.

Depois de apenas 10 meses trabalhando com o Open Finance, continuo acreditando que criar conteúdos realmente relevantes, sendo sincero quanto às dúvidas e fraquezas que todos vivemos e procurando ajuda em outros players do mercado. Essa é nossa força. É assim que se constrói empresas que fazem parte da vida real das pessoas. Afinal, é disso que estamos falando: pessoas, trabalhando duro, fazendo o melhor que podem diariamente. Com uma pausa para o café.

– Pedro Matallo é diretor de criação e head de marketing da Finansystech

Leia mais artigos fazendo o download do Open Finance MEGAREPORT 22, que a Finansystech fez em parceria com a Let’s Open:

só entrar em www.letsopen.com.br/report

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