O Open Finance pode mudar o mundo?

Todos sabemos que o mundo precisa de mudanças urgentes. E não é difícil imaginar que um melhor acesso a um universo de dados, pagamentos e soluções traz soluções diretas ou potenciais para temas latentes.

Todos sabemos que o mundo precisa de mudanças urgentes. E não é difícil imaginar que um melhor acesso a um universo de dados, pagamentos e soluções traz soluções diretas ou potenciais para temas latentes. Entre ferramentas e iniciativas, temos aqui uma pequena série de cases sobre sustentabilidade, impacto social e ESG que já usam o Open, direta ou indiretamente, para causar um impacto positivo no mundo.

Impactos diretos

Hoje, é possível se deparar com soluções Open com objetivos relacionados à práticas de ESG e sustentabilidade de forma muito direta. Alguns exemplos: Ecolytiq, Sustainability-as-a-Service

A ecolytiq fornece estrutura para bancos e instituições financeiras se adaptarem ao ‘green finance’, possibilitando que organizações ofereçam a medição da sua ‘pegada (footprint) ambiental’. Além disso, a empresa traz formas de compensá-la e acesso a investimentos ESG.

Recentemente a empresa fechou uma parceria com a Tink para combinar as ferramentas de educação climática com as de gestão financeira, evoluindo o monitoramento das pegadas de carbono para uma visão 360º entre instituições.

Greener, melhorando decisões financeiras

A aposta da Greener, uma cleantech da Austrália, é simplificar o processo de decisão de consumidores e negócios, para que entendam a sustentabilidade e reduzam sua pegada de carbono com escolhas mais eficientes.

Através do download de seu app, e conectando suas contas bancárias, o cálculo da pegada de carbono do usuário começa a ser feito para cada dólar gasto. O aplicativo também incentiva compras ‘verdes’ através de mais de 250 marcas disponíveis.

No Brasil, o Banco BV lançou um demonstrativo de emissões de CO² com dados do Open Finance

A primeira versão do extrato do banco BV traz uma atualização mensal, por e-mail, com o valor total de emissões de CO², associadas aos dados de compra do usuário. O objetivo do projeto é engajar clientes na causa ambiental e dar mais consciência sobre seus hábitos de consumo. O banco indica que em breve permitirá que os usuários neutralizem seu impacto. Estes três casos ilustram a tendência de ‘carbon trackers’ que têm acontecido globalmente e ilustrados nesta matéria do portal PYMNTS. Para além do aspecto ambiental, temos também soluções de pagamento e investimento que facilitam doações para ONGs, também com diversos exemplos ao redor do mundo.

Com um ‘impacto direto’, essas soluções trazem ferramentas, métodos, soluções e práticas para que ações de impacto social sejam possíveis – diretamente.

Impacto potencial

Outra forma de se encarar o potencial entre o Open Finance e as ideias de impacto social, é entender o próprio Open como uma solução direta para questões profundas da sociedade brasileira, como por exemplo, a inclusão financeira.

Em teoria, temos algumas premissas:

Open Finance aumenta a competição entre instituições;

• Novas organizações terão acesso aos dados que antes eram restritos apenas à poucas instituições;

• Com maior competição: mais pessoas passarão a ter ofertas de produtos financeiros adequados;

Mais pessoas que antes eram sub-bancarizadas passarão a ter melhores ofertas. Assim atingimos o objetivo de inclusão financeira.

Todo esse impacto parte essencialmente da habilidade de usar dados alternativos aos scores tradicionais para avaliar ofertas de produtos. Se conseguirmos fazer isso funcionar, toda uma nova parcela da sociedade (normalmente ignorada pelos bancos, mas movimentando bilhões de reais fora dos bancos anualmente) passa a receber ofertas de crédito que não existiam até então. E crédito serve para investir, esquentar a economia e fazer o país crescer. Este é um impacto difícil de se medir. Por um lado, existem empresas que se dedicam apenas à melhoria do score de crédito de usuários ou à avaliação de crédito ‘sem a consulta do score’. Por outro lado, há empresas que simplesmente incorporaram os dados de open em seu fluxo de produtos e passaram a aceitar novos clientes.

Entenda: o ESG não é um conjunto de boas ações

Existe um engano muito comum quando se fala sobre o termo “ESG”. E não à toa, algumas equipes de marketing se valem dessas confusões para criar campanhas. Mas é importante frisar: os métodos de ESG não são apenas boas ações. Explicando:

O ESG existe, por definição, para trabalhar os recursos ambientais, sociais e de governança de uma empresa, sempre dentro da materialidade dessa empresa. Ou seja, os recursos trabalhados fazem parte do impacto que a empresa causa no mundo diretamente. Além disso (e isso é muito importante), processos de ESG existem para trazer LUCRATIVIDADE para as empresas. Sem isso, não funciona.

Pensando nisso, é fácil de ver novas soluções de ESG com Open Finance, sempre mostrando novas jornadas, telas e a visão de impacto. Mas os cálculos de impacto e os resultados práticos ainda não são tão claros. Bom, vamos dar um desconto: o Open Finance ainda está no começo. Mas é bem fácil imaginar que com os dados abertos, poderemos criar soluções que trabalham práticas anticorrupção e antifraude, melhorando a governança de grandes empresas e dos governos.

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