Nosso futuro é tropical

Em julho de 2021, a Sequoia, um dos maiores fundos de investimento em tecnologia do mundo e um dos primeiros investidores de empresas como Apple e Linkedin, publicou um artigo que sacudiu a Faria Lima.

Por Danillo Branco, by Finansystech

Em julho de 2021, a Sequoia, um dos maiores fundos de investimento em tecnologia do mundo e um dos primeiros investidores de empresas como Apple e Linkedin, publicou um artigo que sacudiu a Faria Lima.

Basicamente, o texto diz que a América Latina é a melhor e mais interessante região do mundo para se investir durante a próxima década.

Assume que o fundo não olhou para cá com a devida atenção, apesar das previsões de

um de seus funcionários – no caso, o colombiano David Vélez, que alguns anos depois criaria o NuBank.

Mais do que isso, o artigo conta como VCs pelo mundo se impressionaram com a qualidade dos CEOs e a velocidade de crescimento de startups como a colombiana Rappi e a brasileira Gympass, que eventualmente internacionalizou seus planos de crescimento, em um caso raro de empresa brasileira de tecnologia expandindo em direção à Europa e a Ásia.

O fato é que esse texto, intitulado “The Latin American Startup Opportunity”, mostra que

sim, a América Latina – e claro, o Brasil como ponta-de-lança – representa o futuro da tecnologia no mundo.

O argumento não é inédito. Em 2013, o economista espanhol Javier Santiso (Head de investimentos em grandes fundos mundiais e Young Leader em Davos) escreveu um

relatório chamado “The Decade of the Multilatinas”, onde mostrava os impactos do crescimento econômico do mercado de tecnologia da América Latina e seus impactos

nos mercados internacionais.

Apesar da tese de Santiso pregar que a Espanha seria o grande Hub entre os latinos, os EUA e a China (algo que não aconteceu), o relatório trazia a potência de um mercado com 600 milhões de pessoas obcecadas por seus celulares, com apenas dois idiomas e uma multidão de desbancarizados.

Ou seja: uma oportunidade.

Yes, we have bananas. And tech.

Além do Sequoia, outros grandes players do mercado financeiro também trouxeram um

foco mais latino aos seus investimentos. Fundos como o Kaszek, que investe apenas em empresas de tecnologia latinoamericanas, e o Softbank com R$5 bilhões investidos na região, representam uma visão menos centralizada do que é promissor e disruptivo no mercado mundial.

Mas talvez exista uma falha em toda essa leitura. Apesar do otimismo, os trópicos ainda são vistos como um mercado consumidor, não necessariamente como produtores de novas ideias e tecnologias.

A LatAm é ocidentalizada, tem o dobro da população dos EUA, o dobro do PIB da Índia e um abismo de infraestrutura gigantesca em mercados emergentes, como hospitais, bancos e seguros, o que representa a chance efetiva de construir empresas novas e disruptivas.

Aqui, o termo “mercados emergentes” é um eufemismo para problemas sociais graves e crônicos, mas com grandes chances de serem resolvidos por empresas de tecnologia que tornam políticas públicas mais abrangentes, acessíveis e efetivas.

Para encontrar essas soluções e fazê-las escalar, é essencial ter uma visão regional e diversa. Ou melhor: uma visão tropical, que pode ser exportada para grandes mercados do mundo. E o Open Finance é um ótimo exemplo de onde ainda podemos chegar.

“O Open Banking que está sendo implementado no Brasil é o mais completo do mundo. E está sendo desenvolvido em tempo recorde. É por isso que eu digo que o país vai se tornar uma referência mundial”, diz Edlayne Burr, Diretora Executiva e Líder de Estratégia para Pagamentos em Growth Markets da Accenture, para a revista Época Negócios, em 2021.

Apesar de estarmos no começo do processo, a economia Open Data veio para ficar. E o Brasil chegou como referência no processo e no desenvolvimento de ferramentas, regulações e ideias.

Temos o raro cenário onde fintechs têm a possibilidade de emergir dentro de processos regulatórios sérios e seguros. Uma prova disso é o Pix, que se tornou um dos maiores sistemas de pagamento do mundo em menos de um ano.

No Brasil, temos 34 milhões de desbancarizados. A internet é acessível para 70% da população (imagine 59% na China e 50% na Índia). O Brasil, sozinho, é a quinta maior população em redes sociais no mundo: passamos mais de 9 horas por dia nelas.

Com o bom uso dos dados dos usuários – e o consentimento seguro – as oportunidades são infinitas. Podemos falar do mercado de previdência, de seguros, de educação; pensar em Data Wallets, onde os usuários vendem seus dados diretamente às empresas. Também podemos criar ferramentas transformadoras para o 5G e o Agro – além de incluir pequenos empreendedores em grandes mercados de crédito; e integrar sistemas de pagamento para

a Europa e a Ásia.

E podemos até imaginar um mundo onde tech companies da América Latina vão criar soluções de alta tecnologia para resolver seus problemas mais profundos. Tudo made in LatAm.

Hoje, um ano e meio depois do artigo da Sequoia, Danillo Branco, CEO da Finansystech fala um pouco sobre como é ser um empreendedor dentro do universo do Open Finance.

Como é para você ser um empreendedor no Open Finance? É muito diferente de

outros mercados?

Para mim, não. Empreender é empreender, não importa o assunto, nem o lugar. O fato é que não existe uma fórmula exata. Sempre há uma faixa de risco, mas na Finansystech, percebi que esse risco é inversamente proporcional ao tamanho do esforço que fazemos. Quanto mais nos especializamos e entendemos sobre as partes técnicas e estratégicas do ecossistema, menor é o risco da empresa não ir pra frente.

O universo do Open Finance teve um começo muito particular e muita gente errou tentando estar na vanguarda de um mercado de muito risco. Muitas empresas se anteciparam tentando trazer tecnologia de fora em vez de criar soluções próprias e isso acabou sendo problemático, já que trabalhamos com regulações muito profundas. Entender cenários como esse, onde é preciso ser disruptivo e também seguir a agenda do Bacen, é complicado. É muito fácil errar o timing e perder oportunidades. Nós acertamos muito na percepção em relação à maturidade do mercado. Quando decidimos lançar a empresa, existia um forte desequilíbrio entre demanda e oferta, então foi fácil de vender. O mais complicado foi manter os clientes durante todo esse tempo. Mas esse não é um desafio da Finansystech, é de qualquer empresa. Estamos no negócio de criar o futuro, então tudo é incerto mesmo.

Como você vê o Bacen e as mudanças de mercado? Te dá um frio na barriga?

Uma das coisas mais importantes na nossa visão como empresa é a percepção de que o Brasil vai mais longe. Tenho certeza que a gente tem capacidade de se adaptar melhor que outros players de mercado, e de fato é isso que está acontecendo hoje. Temos um regulador que é muito focado e interessado em inovar. Como tudo na vida, todo acontecimento é só um acontecimento – é a leitura que fazemos disso que faz diferença. Cada mudança do Bacen é uma nova maneira de impactar o mercado, não uma ameaça ao meu negócio.

No final das contas, eu tenho uma visão de longo prazo sobre o Open Finance. Para mim, tudo isso sempre foi sobre o impacto na vida das pessoas, independente se eu estou fundando uma empresa ou trabalhando em algum lugar (…)

– Danillo Branco é CEO da Finansystech

Leia o artigo completo fazendo o download do Open Finance MEGAREPORT 22, que a Finansystech fez em parceria com a Let’s Open:

só entrar em www.letsopen.com.br/report

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