Confiança. Essa é a palavra-chave que faz com que o open finance funcione. Acima de qualquer aspecto regulatório e além de qualquer requisito técnico, a confiança do usuário em ceder seus dados é o primeiro passo para que tudo o que tem sido construído no universo Open possa parar em pé.

Por Pedro Matallo, by finansystech

Confiança. Essa é a palavra-chave que faz com que o open finance funcione. Acima de qualquer aspecto regulatório e além de qualquer requisito técnico, a confiança do usuário em ceder seus dados é o primeiro passo para que tudo o que tem sido construído no universo Open possa parar em pé. Afinal, a primeira revolução começa quando o usuário – e não as instituições – passam a ser donos de seus dados. Isso parece pouco? Decididamente, não é. Nós, como clientes, não estamos ainda habituados a entender a complexidade das pegadas que deixamos em cada uma de nossas pequenas operações financeiras, e de como os bancos e instituições podem usar isso, tanto para o bem, quanto para o mal. Como garantir que algo tão complexo em níveis legais e tecnológicos tenha bases sólidas o suficiente para não criar desconfiança? No Brasil, a resposta veio através dos GTs – ou Grupos de Trabalho.

Diferente de outros países, como a Colômbia, onde o mercado Open é desregulado e tudo é opcional, o Brasil sempre teve bases legais muito sólidas. Além da LGPD (Lei Geral de Proteção dos Dados), que está legalmente acima de tudo que o Open Finance propõe, o Banco Central trouxe uma estrutura de governança extremamente democrática desde o princípio. Aqui, a ideia não é gerar um mar aberto de dados e sim, um sistema mais democrático de ofertas, tanto para as instituições quanto para o cliente final. Mesmo que o Bacen seja sempre o regulador oficial, foram criados vários grupos que envolvem grandes bancos, cooperativas, fintechs, desenvolvedores, associações, consultores e acadêmicos, trazendo transparência para todo o processo. E isso vale para tudo. Desde pequenos detalhes de segurança até marcos legais, tudo passa pelos GTs, que trabalham em soluções, votam decisões internamente e apresentam suas propostas a um conselho deliberativo. É um trabalho conjunto, muitas vezes voluntário, onde grandes e pequenas instituições enviam representantes para defender suas ideias e conceitos. Com isso, temos padrões, sistemas, acordos e regras. Temos um processo de responsabilidade em um país onde 54% da população diz não confiar em seus bancos.

Um espaço enorme para todos

Este processo de validação também tem se mostrado interessante para os diversos players do mercado. Os GTs criaram um espaço de diálogo e reivindicação onde pequenas cooperativas têm a mesma voz de grandes bancos e pequenos consultores têm espaço para trazer inovações de segurança tão poderosas quanto grandes times de tecnologia.

No final de cada discussão há uma deliberação, onde cada cadeira tem o mesmo poder de voto. Os GTs geram especificações e guias que devem ser seguidos por todos os participantes.

“Talvez o que quem não participa ainda não entenda bem, é que todos podem levar suas sugestões. Não precisamos esperar uma fase ou um tema pautado para trazer propostas, pode acontecer a qualquer momento. Por isso a importância de participar dos GTs, temos muita voz. Isso representa um espaço enorme para fintechs, por exemplo, que já estão representando um marco na história do Open Finance.”, diz Carla Campos, da ABFintechs (Associação Brasileira de Fintechs), que representa as Fintechs em diversos grupos de trabalho, além de outros espaços fora do Bacen.

A importância desse processo ficou óbvia quando o Banco Central implementou os processos da Fase 2 do Open Banking (todos criados em conjunto com os GTs). O fato dos bancos estarem em compliance com os marcos legais e de tecnologia fez com que 80% das contas do país entrassem no Open Finance de uma só vez.

Hoje, a Finansystech é participante ativa dos GTs, em temas que vão desde aspectos técnicos de protocolos de segurança, até campanhas de comunicação. A empresa, que fez parte da construção dos primeiros protocolos de segurança e hoje tem 10% da sua equipe em grupos de trabalho, reconhece o valor de fazer parte dessa construção coletiva. “Assistir um processo como este é inédito para mim”, comenta Pedro Matallo, head de marketing da empresa. “Hoje consigo entender que as bases para que o Open Finance exista estão aí, feitas com todas as vozes possíveis. Agora, cabe a cada instituição se virar para conquistar seus clientes e trazer o melhor produto para cada um”.

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