Como melhorar o Open Finance 100 vezes de uma só vez

Assim como estamos construindo infraestrutura para o Open Finance, também temos que pensar mais e melhor em métricas, escreve Gabriel Pereira

Assim como estamos construindo infraestrutura para o Open Finance, também temos que pensar mais e melhor em métricas, escreve Gabriel Pereira

Por Gabriel Pereira*, exclusivo para o Finsiders (acesse o artigo original)

É inegável que o coração do Open Finance é o compartilhamento de dados. Pelas palavras do próprio Banco Central do Brasil, ter os usuários no controle é um dos pilares do Open. Na prática, por exemplo, temos visto os cases de agregadores de contas, com slogans que dizem algo como “agora você pode conferir o saldo de diversas instituições em um único lugar. Chega de entrar em diversos aplicativos para saber seu saldo consolidado”.

Saber que possui saldo em outras instituições, suas movimentações ou até mesmo a ausência delas, podem ser ativos importantes na hora de personalizar ofertas de produtos financeiros. Além do benefício óbvio para o usuário, as instituições também se beneficiam de uma visão completa sobre a vida financeira do cliente. Mas afinal, isso está funcionando?

Atingir a visão 360º ainda é um grande desafio.

Segundo uma pesquisa recente realizada pela idwall em parceria com a Cadarnn Consultoria, o cidadão médio brasileiro acumula um total de 5,4 contas (sim, por pessoa!). Quase o dobro das 2,8 contas mapeadas em 2019.

Conforme o levantamento, alguns dos motivos para esse aumento são a facilidade no processo de abertura e o movimento de banking as a service (BaaS). Assim, com este cenário, é possível assumir que a vida financeira da população está cada vez mais fragmentada entre instituições financeiras diversas.

E é aqui que surge uma nova moda no setor financeiro: a principalidade. Já que as instituições não conseguem mais ser a única conta de cada cliente, o trabalho está em ser a principal. Na via oposta, é preciso que se identifique a conta principal de cada cliente para estimular o compartilhamento de dados.

Um exercício: qual o potencial não explorado no Open Finance?

Pensando nos dados publicados pelo Banco Central em fevereiro de 2023, temos 22 milhões de consentimentos ativos no ecossistema e 15 milhões de usuários únicos. Só para fazer um exercício, vamos assumir que:

  • Cada consentimento feito representa uma só conta bancária, ou seja, um mesmo cliente não compartilhou os dados de uma conta N com mais de uma instituição financeira;
  • Todos usuários participantes do Open Finance seguem a média de 5,4 conta/usuário;
  • Não estimamos o potencial de contas não conectadas que não são participantes do Open Finance.

Com estes dados, é possível estimar que mais de 80 milhões de contas de pessoas que já conhecem e utilizam o Open Finance não foram conectadas. Claro que temos razões diversas: ausência de proposta de valor, contas sem movimentação, dificuldade nas jornadas, não participação da instituição e uma dezena de outros motivos.

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