Big Techs, Mobile Payments e Open Banking

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No último dia sete de setembro, um estudo publicado pelo The Consumer FInancial Protection Bureau (CFPB), uma agência americana dedicada ao equilíbrio do sistema bancário, apresentou os impactos das políticas aplicadas por Big Techs que controlam os principais meios de pagamento mobile ‘tap-to-pay’ (entenda: Apple Pay e Google Pay).

O estudo apresenta impactos como, por exemplo, a imposição de taxas por meio de determinados arranjos e como estes sistemas podem impactar significativamente na inovação, escolha do consumidor e no crescimento de um ecossistema aberto e descentralizado nos Estados Unidos.

Tap-to-Pay & Open Banking – Qual a conexão?

O termo open banking ainda é predominante nas discussões estadunidenses (ainda não chegaram no Finance por lá, rs) e apareceu algumas vezes no estudo:

  • A medida em que os EUA migram para um ecossistema open regulado, o CFPB está estudando todas as oportunidades de interoperabilidade e também seus riscos.
  • Sistemas fechados e/ou restritos de pagamentos ‘tap-to-pay’ reduzem a escolha dos usuários e também inibem a inovação. Por consequência, enfraquecem um ecossistema de open banking, onde os clientes terão controle de suas finanças e ofertas de soluções de pagamentos que melhor se adaptem a suas necessidades.Exemplo prático: As soluções atuais não permitem integrações com outros meios de pagamento como PayPal, Venmo, Cash App etc.

Principais conclusões do estudo:

1. Crescimento dos pagamentos via NFC
Os pagamentos ‘tap-to-pay’ no ponto de venda se popularizaram a medida que a tecnologia do NFC também se tornou mais comum. É espero que esse crescimento continue e cresça mais de 150% até 2028.

Total US Wallet

2. Domínio de dois grandes players: Google e Apple
Apple e Google dominam o mercado de sistemas operacionais de celulares. A medida que o mundo evolui para pagamentos por celular, e o modelo de negócio dessas cias se mantém, elas terão profundo impacto no mercado e no futuro do Open Banking, segundo a CFPB.

Estimated U.S. Consumer POS Spending Using Apple Pay

3. O QRCode poderia ser um concorrente (se eles tivessem o Pix e a Iniciação de Pagamentos)
O estudo destaca que os pagamentos via QR Code ainda não são tão populares, mas que poderiam ser uma alternativa. No Brasil, com o roadmap do pix e do ITP, já vemos uma realidade. Mas no cenário atual americano, a experiência via Tap-to-pay ainda apresenta resultados melhores do que os QR Codes de lá.

Steps to make POS Payments Using Tap-to-pay vs QR Code

4. Lock in em sistemas operacionais
O estudo ainda pontua que provedores de serviço não conseguem criar soluções para se alavancar em soluções via NFC em wallets como Venmo, Paypal e CashApp, ou apenas usando o sistema proprietário da Apple. No caso do Google, essa limitação não existe atualmente, mas nada impede uma revisão desta posição no futuro.

Conclusão
A criação de um ecossistema aberto não é tarefa simples e cada país vive uma realidade única. É interessante ver como os diferentes pontos de partida influenciam a capacidade de atingir a interoperabilidade em sua plenitude no mercado.

Até pouco tempo atrás, não se olhava os Estados Unidos com tanta profundidade pelo aspecto de orientação à mercado na parte de dados, com práticas pouco replicáveis em outros contextos. Mas os movimentos recentes de estruturação e discussões regulatórias tem prometido mudanças significativas no mercado americano.

Que as Big Techs farão parte do dia a dia dos usuários no futuro, não temos dúvida, mas as questões de competição e melhores produtos para os clientes também precisam continuar a ser destacadas. Bem acertada a provocação do CFPB.

Para nós do Open, vale aquela reflexão. Quais tendências de comportamento estão influenciando a população hoje? Para além do nosso dia a dia? São elas que nos farão construir soluções 100x melhores.

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